Nos últimos dias, o Brasil mais uma vez foi destaque nos noticiários internacionais acerca da violência a qual o país e os seus cidadãos vivenciam de forma rotineira e habitual, não sendo nada incomum encontrarmos manchetes no que se refere a criminalidade, desigualdade e violência institucionalizada. Porém, desta vez a violência resultou em 121 mortes em uma favela no Rio de janeiro. Entre elas 4 policiais e 117 criminosos.
O acontecimento causou um efeito de cisão na população e na política nacional. Uma parte alega que sim, foi de boa índole e a polícia não fez mais que o seu trabalho “grande heróis“. Em falas de influencers, jornalistas, popularese os próprios políticos afirmam que “as únicas vítimas eram os policiais, a maior faxina da história“. No outro lado, pessoas sensibilizadas pelas mortes de todos os envolvidos e se questionando “até quando“?
Faço-me a mim e a todos os leitores a refletirem de forma crítica: por que isso ocorre? Até quando a nossa política irá aplaudir de pé e dizer que a criminalidade é uma questão de “escolha“? O quão forte pode ser a influência política na opinião popular? Qual o nosso papel como cidadão brasileiro? Qual o papel das políticas públicas?
De fato, as ciências sociológicas e psicológicas nos dão subsídios teóricos para enunciar que a criminalidade não vem a ser desenvolvida somente por fatores ambientais, pois o fenômeno da criminologia é um campo complexo na qual existem inúmeras variáveis para explicação do crime. Entretanto, é possível afirmar que sim, que o ambiente tem uma enorme influência no comportamento que desvia as normativas e condutas sociais, principalmente quando ocorre a marginalização social.
O Brasil desde sempre sofre com o fenômeno chamado desigualdade social onde basicamente a sociedade se divide entre: naqueles que tem acessos ao máximo para viver e se desenvolver, e aqueles que tem o mínimo para tentar sobreviver. Não é incomum encontrarmos sujeitos de nível socioeconômico desfavorecido no mundo do crime.
Um ponto que chama atenção, é o momento em que a lista de mortos é divulgada, comove que a maioria eram jovens negros e “pardos”. Frente a isso, reflito: isto também nos daria indícios sobre a desigualdade étnico-racial e marginalização desta população no Brasil? Isto não seria mais uma variável a ser vista e indagada pelas políticas públicas de educação e desenvolvimento no país? Pois, ao que parece, a política esta mais preocupada em exacerbar o ódio para a população e ainda ser vista como “competentes” no exercício falho que é a política nacional.
Por fim, questiono se toda esta ação policial e propagação do ódio irá acabar com a criminalidade e a violência no país? Será que todos os problemas sociais foram resolvidos? Sem dúvida que não. Não é através do ódio e violência que se resolve uma problemática como essa, pelo contrário, quanto mais a violência é exteriorizada, maiores são as chances dela se expandir.
Acredito que o nosso papel como cidadão brasileiro é lutar pela educação e inclusão das pessoas. É compreender que extinguir a criminalidade em uma sociedade é quase que impossível, e não são os números de mortes que vai estabelecer uma sociedade mais pacífica. À medida que compreendemos e olhamos com sensibilidade a problemática sociocultural atual envolvida, nos colocamos como cidadãos críticos que lutam pelo direito à educação e bem-estar social no país.

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